
O que é CMV e qual o CMV ideal para restaurante
O CMV (Custo da Mercadoria Vendida) é quanto custaram os insumos usados em tudo o que o restaurante vendeu num período. Dividido pelo faturamento, ele mostra quanto de cada real vendido foi para comida e bebida. Não existe um CMV ideal único: muitos restaurantes usam 25% a 35% como referência, e o guia de restaurantes do Sebrae-SP registra variação de 32% a 45% no mercado. O ideal para você é o maior CMV que ainda deixa lucro depois de equipe, custos fixos e impostos, e dá para calcular esse limite com quatro números.
O que é CMV no restaurante
CMV é a sigla de Custo da Mercadoria Vendida. No restaurante, é o custo da comida e da bebida que saiu como venda, e também do que se perdeu no caminho: sobra jogada fora, porção maior que a ficha técnica, produto vencido.
Ele aparece de dois jeitos:
- CMV em reais: quanto custaram os insumos consumidos no mês.
- CMV em percentual: esse valor dividido pelo faturamento do mesmo mês. É o número que você compara com o mês anterior e com as referências do setor.
Se o restaurante faturou R$ 20.000 e consumiu R$ 7.000 em insumos, o CMV é de 35%. De cada R$ 100 vendidos, R$ 35 foram para a cozinha antes de pagar equipe, aluguel e impostos.
O CMV é o custo mais controlável do negócio. O aluguel está no contrato e a energia depende da tarifa, mas compra, porção e desperdício mudam com decisões da semana.
Qual é o CMV ideal para restaurante
O CMV ideal é o que cabe na sua estrutura de custos. As referências públicas servem para saber se você está muito fora da curva:
- Uma faixa muito usada por restaurantes é de 25% a 35% do faturamento.
- O guia de investimento para restaurantes do Sebrae-SP registra variação de 32% a 45% no mercado nacional, com a ressalva de que o percentual muda conforme o modelo de negócio.
As faixas não batem porque cada operação vende e conta de um jeito. Bebida com custo baixo puxa o CMV para baixo, prato com proteína cara puxa para cima, e a embalagem às vezes entra no CMV, às vezes nos custos variáveis.
Como o CMV costuma variar por tipo de operação
São tendências gerais, não metas. Servem para entender por que o seu número é o que é.
| Operação | Tendência do CMV | Por quê |
|---|---|---|
| Pizzaria | Mais baixo | Massa e molho custam pouco; o queijo é o item que mais pesa |
| Hamburgueria e lanchonete | Na média ou acima | Carne e queijo concentram o custo de cada lanche |
| Marmitaria | Acima da média | Preço baixo, porção generosa e proteína em toda refeição |
| Cafeteria e padaria | Mais baixo | Café e produção própria têm custo baixo por unidade |
| Churrascaria e rodízio | Mais alto | A carne é o produto principal e o consumo por cliente varia |
| Açaiteria | Varia muito | Polpa e adicionais pesam; adicional à vontade sobe o custo |
Como achar o seu CMV máximo (exemplo com números)
Em vez de perseguir uma faixa genérica, calcule o teto do seu CMV. A conta parte do lucro que você quer ter:
CMV máximo = 100% − equipe − custos fixos − custos variáveis − lucro desejado
Exemplo de um restaurante que fatura R$ 40.000 por mês. Os números são ilustrativos; troque pelos seus.
| Linha | % do faturamento | Em reais |
|---|---|---|
| Equipe (salários, encargos e pró-labore) | 25% | R$ 10.000 |
| Custos fixos (aluguel, energia, contador, sistemas) | 18% | R$ 7.200 |
| Custos variáveis (impostos, taxas de cartão, embalagens, comissões) | 14% | R$ 5.600 |
| Lucro desejado | 10% | R$ 4.000 |
| CMV máximo | 33% | R$ 13.200 |
Neste restaurante, cada ponto de CMV acima de 33% sai direto do lucro. Com CMV de 37%, o lucro cai de 10% para 6% do faturamento: de R$ 4.000 para R$ 2.400 no mês.
Para montar essa tabela com os seus custos reais, siga o passo a passo de como saber se o restaurante dá lucro, que organiza tudo numa DRE simples.
Como calcular o CMV do restaurante (resumo)
A fórmula usa o estoque, porque comprar não é consumir:
CMV = estoque inicial + compras do período − estoque final
CMV % = CMV ÷ faturamento do período × 100
Continuando o exemplo, no mesmo mês de R$ 40.000 de faturamento:
| Item | Valor |
|---|---|
| Estoque inicial (contagem no primeiro dia) | R$ 5.000 |
| (+) Compras de insumos no mês | R$ 14.000 |
| (−) Estoque final (contagem no último dia) | R$ 4.200 |
| (=) CMV do mês | R$ 14.800 |
| CMV % (R$ 14.800 ÷ R$ 40.000) | 37% |
Se o dono olhasse só as compras, veria 35% (R$ 14.000 ÷ R$ 40.000) e acharia que está perto do teto. A contagem mostra que o consumo foi maior que as compras: parte do estoque inicial foi usada e não reposta. Com 37%, este restaurante está 4 pontos acima do CMV máximo.
Para fazer essa conta sem planilha, use a calculadora de CMV: você informa estoque inicial, compras, estoque final e faturamento e vê o percentual na hora.
Três cuidados para o número ser confiável:
- Conte o estoque sempre no mesmo dia, de preferência antes de abrir ou depois de fechar.
- Use o mesmo período para compras e faturamento: o mês do faturamento é o mês do CMV.
- Decida o que entra e mantenha. Se a embalagem entra no CMV em um mês, entra em todos.
CMV do restaurante e CMV do prato
O CMV do mês diz quanto você gastou. O CMV de cada prato diz onde. Ele sai da ficha técnica: a soma do custo de cada ingrediente na quantidade da receita, dividida pelo preço de venda. Um lanche que custa R$ 11 para montar e é vendido a R$ 28 tem CMV de 39%.
Quando o CMV real do mês fica bem acima do que as fichas técnicas preveem para as vendas do período, a diferença é perda: desperdício, porção acima da receita ou registro errado. Para descobrir quais pratos deixam mais dinheiro, veja o guia de menu engineering.
Por que o CMV sobe
Os motivos mais comuns, na ordem em que vale olhar:
- Preço parado e insumo subindo. O fornecedor reajustou, o cardápio não.
- Porção sem medida. Sem ficha técnica e balança, cada pessoa da cozinha serve o que acha certo.
- Desperdício. Armazenamento ruim, produção acima da demanda, sobra que não vira outro preparo.
- Compra sem comparar. Pedido de urgência, fornecedor único, nenhuma cotação.
- Mix de vendas. Se os pratos de custo alto passam a vender mais, o CMV sobe mesmo sem erro nenhum.
- Saída sem registro. Refeição da equipe, cortesia e desvio que não passam pela venda.
Como reduzir o CMV sem piorar o prato
- Tenha ficha técnica dos pratos que mais vendem. Comece pelos dez primeiros: é neles que está a maior parte do consumo.
- Padronize a porção com balança, dosador e foto do prato montado na parede da cozinha.
- Conte o estoque com regularidade. Uma vez por mês no mínimo; toda semana para os itens caros e perecíveis.
- Revise o preço quando o custo mudar. A calculadora de preço de venda parte do custo da ficha técnica, dos custos variáveis e da margem desejada.
- Compare e negocie os cinco insumos que mais pesam nas compras.
- Reaproveite com plano. Sobra de produção que vira outro preparo entra na ficha técnica, não no improviso.
Perguntas frequentes sobre CMV
O que significa CMV no restaurante?
Custo da Mercadoria Vendida: quanto custaram os insumos consumidos para produzir o que foi vendido no período. Em percentual, é esse custo dividido pelo faturamento. Se o restaurante faturou R$ 20.000 e consumiu R$ 7.000 em insumos, o CMV é de 35%.
Qual o CMV ideal para restaurante?
Não há um número único. Muitos restaurantes usam 25% a 35% como referência, e o guia do Sebrae-SP registra 32% a 45% no mercado. O ideal é o seu CMV máximo: 100% menos equipe, custos fixos, custos variáveis e o lucro que você quer ter.
Embalagem e bebida entram no CMV?
Bebida revendida entra, porque é mercadoria vendida. Embalagem pode entrar no CMV ou nos custos variáveis; os dois jeitos são usados. O importante é escolher um e manter, para comparar um mês com o outro.
Com que frequência devo calcular o CMV?
Pelo menos uma vez por mês, sempre no mesmo dia. Operações com muito perecível, ou com CMV acima do teto, contam os itens principais toda semana.
CMV e lucro bruto são a mesma coisa?
Não. Lucro bruto é o faturamento menos o CMV. Com CMV de 35%, sobram 65% para pagar equipe, aluguel, impostos e taxas. O lucro de verdade só aparece depois de descontar tudo isso.
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